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Ao longo dos vários anos de voo, vamos adquirindo um estilo de pilotagem, que passa inevitavelmente pelos procedimentos na descolagem, técnica de voo e procedimentos na aterragem… É um trabalho contínuo que cabe a cada um desenvolver devidamente orientado, há sempre pormenores a corrigir… por mais anos que tenhamos na modalidade será naturalmente um percurso sem fim. O treino no solo é um óptimo exercício que ajuda a melhorar a relação piloto e asa como um todo.
Apesar deste tema ser bastante vasto e discutível, vamos apenas focar alguns aspectos que nos parecem essenciais para a segurança. Não se pretende ensinar, porque aprender é numa escola de parapente… mas sim sensibilizar aspectos fundamentais para a segurança e para a rentabilidade do voo. À semelhança do que acontece na formação da condução do nosso automóvel, por vezes inconscientemente vamos adquirindo hábitos e vícios de condução, uns tecnicamente mais correctos do que outros… indo muitas vezes contra o que nos é ensinado. Situação que por vezes parece usual na prática de parapente por diversas razões. Começamos por abordar a importância da cadeira; todos sabemos que existe no mercado um vasto leque de cadeiras, o importante é que cada um adquira uma que se adapte às suas características e ao seu nível de pilotagem. Antes de adquirir uma cadeira clássica, será importante ter em conta a protecção dorsal, tamanho, conforto e pontos de apoio. Estas características são fundamentais para a sua segurança e conforto durante o voo. Antes de iniciar o voo, será importante ajustar a cadeira à medida do corpo e da inclinação que queremos voar. Basta pendurar a cadeira pelos mosquetões, sentar-se na mesma e regular todas as cintas até encontrar a posição que lhe transmite mais conforto e segurança. A melhor cadeira do mundo, se estiver mal regulada, torna o voo muito incómodo e pode provocar um acidente. Técnica aconselhada para pegar nos manobradores  A forma como pegamos nos manobradores, pode influenciar o rendimento do voo. Embora haja asas que transmitem mais do que outras a aerologia local, pegar nos manobradores conforme a figura da esquerda, ajuda a sentir melhor todos os comportamentos da asa e consequentemente a massa de ar onde estamos a voar. Através das pontas dos dedos em contacto com o fio, conseguimos obter mais informação e facilmente antecipamos situações que requerem intervenção rápida do piloto.
Esta forma de pegar nos manobradores referente à imagem da esquerda, também não deve ser utilizada, embora seja parecida com a imagem em cima da esquerda, há uma grande diferença, nesta situação os dedos ficam todos dentro do manobrador. Com a utilização de umas luvas, numa emergência torna-se difícil tirar a mão dentro do manobrador devido ao atrito provocado pela luva. Conclusão: a imagem que diz "SIM" é na minha opinião a forma correcta de pegar nos manobradores pelas razões já apresentadas.
Inicialmente, a posição sentado é a adoptada pelo piloto iniciado, é aquela que transmite mais confiança e ao mesmo tempo traduz maior conforto na fase de aprendizagem. As pernas são colocadas para baixo, cruzadas ou não. Nesta posição, indiscutivelmente o piloto reage mais rápido a uma situação inesperada e se estiver perto do chão, a primeira parte do corpo a tocar o solo, são os pés.
Após alguma experiência, regra geral alguns pilotos começam por voar semi-deitados, nesta posição permite-lhes um maior campo de visão sobre a asa. Assume uma posição mais aerodinâmica em relação à posição anterior que lhe permite reduzir a resistência parasita. Os braços devem estar junto ao corpo e as pernas juntas. Os pilotos de nível avançado, muitas vezes optam pela cadeira “canoa”, na opinião da maioria, foi sem dúvida uma revolução na tecnologia no fabrico de cadeiras. Para além de serem muito confortáveis, oferecerem uma boa protecção térmica, e possibilitam um aumento da rentabilidade do voo devido à sua forma aerodinâmica. Atendendo à posição parcial de deitado, expõe o piloto a alguns riscos, muitas vezes a reacção a incidentes de voo não é tão rápida como seria desejável. À semelhança de outros equipamentos, requer uma adaptação e um treino específico para rentabilizar o voo em segurança.
Seja qual for o equipamento utilizado, a posição do corpo, dos braços, das penas, o importante é que cada um desenvolva o seu estilo de pilotagem de acordo com os padrões de formação e encontre o perfeito equilíbrio de se sentir confortável e seguro em todo e qualquer voo. Tudo passa por um treino adequado e ajustado ás característica do equipamento e nível de cada piloto. Não devo voar mais deitado ou sentado, só porque o meu amigo tira mais rendimento naquela posição… mas sim, porque me sinto confortável e essencialmente mais tranquilo e seguro das minhas decisões. Voar seguro de si próprio, o rendimento do voo é inevitavelmente maior, do que aquele que voa com equipamento de ultimo grito, sofisticado e avançado, mas que não se sente totalmente seguro nas suas decisões. Como alguém dizia: “o melhor piloto não é o que voa mais longe, mas sim o que se diverte mais”
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